segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Crise religiosa no Egito sobra para os Palestinos



Se o Governo egípcio descobriu, ou não, o verdadeiro responsável pelo atentado que matou cerca de 23 pessoas (tendo como alvo cristãos coptas) em Alexandria no dia 31 de Dezembro de 2010 não sabemos. O fato é que Hosni Mubarak preferiu colocar a culpa num grupo palestino. Isso para não admitir ou publicar que dentro do Egito existe um problema sério com a tolerância religiosa. Fazendo isso (contando essa mentira) o Presidente egípcio divide a opinião pública a respeito dos palestinos, se livra das críticas internacionais sobre a sua total (ou proposital) incompetência sobre as questões religiosas internas, sem falar dos direitos humanos, e de sobra consegue uma carta na manga para futuramente dizer que não pode abrir a fronteira em Gaza porque lá existem terroristas, já que se mostrou um fiel cordeiro de Israel.

Aproximadamente 10% da população egípcia é cristã. Apesar de conviverem relativamente bem (cristãos e muçulmanos) verificam-se acontecimentos isolados, porém não escassos de violência, perseguição e descriminação.

Sobre o atentado, um porta-voz do grupo palestino acusado pelo ataque negou a participação, desmentiu ter "qualquer relação, de perto ou de longe" e acusou os serviços secretos israelenses. "Nossos exércitos se dirigem diretamente contra o inimigo sionista e o campo da batalha com este inimigo está no interior da Palestina", disse à AFP o porta-voz, Fawzi Barhum.

Claro! O que iriam fazer palestinos em Alexandria contra cristãos coptas? Que novidade é essa agora? Só mesmo sendo um tirano como o Presidente egípcio para inventar uma fábula dessas.

E para sorri ainda mais (ou chorar), Mubarak, em seu discurso sobre o caso, afirmou: "o terrorismo não faz parte da nossa sociedade e tem a marca do exterior". Ele é muito gozado mesmo!

A rede de notícias AFP publicou os acontecimentos dos últimos 30 anos:
- 17 de junho de 1981: 14 mortos e 50 feridos em confrontos que, segundo a versão oficial da época, foram desencadeados por uma simples briga de vizinhos. Segundo testemunhas, o conflito envolvia uma parte do terreno onde devia ser construída uma igreja e que integristas islâmicos ocuparam para erguer uma mesquita.

- 4 de maio de 1992: 14 mortos (13 coptas e um muçulmano) em enfrentamentos em Manchiet Nasser (Alto Egito), provocados pela morte, em março, de um muçulmano, por causa de um conflito provocado pela compra de uma casa.
- 12 de fevereiro de 1997: atentado contra uma igreja de Abu Qurqas (Alto Egito) causa a morte de nove coptas.

- 3 de janeiro de 2000: 20 cristãos do Egito morrem no povoado de Al Kocheh (Alto Egito) nos mais violentos confrontos entre muçulmanos e cristãos registrados no país em 20 anos.

- 14 de abril de 2006: um operário muçulmano (apresentado pelas autoridades como um desequilibrado) ataca três igrejas de Alexandria e mata um copta de 78 anos. Outra pessoa morre em confrontos entre as duas comunidades, desencadeados a partir dos ataques.

- 31 de maio de 2008: muçulmanos invadem um mosteiro em Malaui (Alto Egito), ferindo a tiros quatro coptas, três deles monges. Outros três monges são sequestrados em uma noite. Morre um dos agressores muçulmanos. Este ataque ocorre em meio a um clima de crescente tensão entre as duas comunidades em um momento em que os coptas levantam, com autorização das autoridades, um muro ao redor do antigo mosteiro de Abu Fena.
- 6 de janeiro de 2010: seis coptas e um policial morrem em Nagaa Hamadi (Alto Egito), alvo de tiros de três desconhecidos que abriram fogo contra a multidão em uma rua comercial na véspera da comemoração do Natal copta.

- 24 de novembro de 2010: dois coptas morrem em manifestações de cristãos contra a proibição de construir uma igreja em um bairro do sudoeste do Cairo.
- 1º de janeiro de 2011: 21 mortos e 79 feridos em um atentado na saída de uma igreha copta de Alexandria, depois da missa de Ano Novo. O atentado não foi reivindicado, mas o governo o atribuiu a um camicase, comandado do exterior.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Países que defendem a criação do Estado Palestino



O Presidente Russo, Dmitri Medvedev unindo-se à posição do Brasil, Argentina, Chile,  Bolívia, Equador, Cuba, Venezuela, Nicarágua e Costa Rica entre outros defendeu a criação do Estado Palestino. Em sua declaração, Medvedev declarou:

"A Rússia exprimiu sua posição sobre a questão (palestina) na década de 1980, no século passado, e nós apoiamos totalmente o direito inalienável do povo de estabelecer um Estado palestino independente, unido e viável, tendo Jerusalém Oriental como capital".

Vale lembrar que a Russia é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e com essa posição o Governo Palestino tem esperança de que o empasse seja resolvido.  

A decisão do Brasil em reconhecer o Estado Palestino no ano passado estimulou uma onda de reconhecimentos sul-americanos e adquiriu uma proporção que surpreendeu inclusive aos palestinos. Bolívia, Equador, Cuba, Venezuela, Nicarágua e Costa Rica escolheram o fim do ano como o momento de fazer suas declarações; Uruguai, Paraguai e Peru estão a caminho de seguir o exemplo dos anteriores.

O ministro palestino das Relações Exteriores, Riyad al-Malki, após a reunião com a chanceler espanhola disse que a maioria dos países do mundo, entre eles os da UE, reconhecerão em 2011 a Palestina como Estado.

Nesta mesma reunião a ministra espanhola (Trinidad Jiménez) teria afirmado que a União Europeia irá reconhecer um Estado palestino no início de setembro de 2011. Jiménez garantiu: "Caso a União Europeia (UE) não o faça, a Espanha será o primeiro país a reconhecer um Estado palestino", declarou Malki.

O ministro disse ainda que, antes do fim de setembro, "a maioria da comunidade internacional irá reconhecer um Estado palestino independente".

Assim seja!

Fonte: AFP; RNW.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Presidente da Tunísia foge do país



Na tentativa desesperada de reverter a situação catastrófica que se instalou na Tunísia, o Presidente Zine El Abidine Ben Ali apresentou em seu último discurso (com uma voz trêmula aparentando ser um homem o oposto do que ele representava) estar arrependido e que havia sido enganado por sua comitiva, afirmou inclusive que agora ele entendeu o recado e que ele irá deixar o poder em 2014.


No poder há cerca de 27 anos, Ben Ali FUGIU do país esta tarde, conforme informa o Jornal Al Jazeera "Presidente Zine El Abidine Ben Ali deixa o país na sequência dos violentos confrontos na capital, Tunis".

Já vai tarde!

Tudo começou cerca de um mês atrás, quando um cidadão frustrado e desiludido se suicidou em público acarretando numa crescente revolta generalizada. Dias depois, a revolta havia se expandido atingindo uma magnitude inédita.

Motivados também pelo desemprego, corrupção, ditadura e abusos dos direitos humanos, os protestos evoluíram rapidamente para um movimento popular pedindo Ben Ali para deixar o poder. O acesso à internet na Tunísia estava restrito desde 2005. Em seu último discurso Ben Ali se comprometeu e liberou o acesso irrestrito, que inclui as redes sociais, blogs, youtube e sites de oposição política.

Semelhante a alguns governos ditatoriais árabes, Ben Ali durante anos infringiu a Constituição do país. Diante da crítica situação econômica e social e da completa insatisfação da sociedade, não houve outra resposta, o povo se rebelou e ao que parece, conseguiu.

Receosos pela reação de outros países, alguns destes decretaram "Estado de Alerta". Obviamente com medo de que os acontecimentos promovam um encorajamento da sociedade desses países. Só para citar, Hosni Mubarak está no poder do Governo Egípcio há 30 anos. Impressionante!!!!

Povo da Tunísia, FORÇA, CORAGEM, RESISTÊNCIA e PERSISTÊNCIA. Estou com vocês! Liberdade, justiça e democracia para todos.

Fonte: http://english.aljazeera.net
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