Em meio à ameaça de uma guerra, o Irã está sendo colocado em mais uma situação bastante polêmica. Diariamente a mídia tem apresentado o caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento. Segundo o governo iraniano, Sakineh Mohammadi está sendo condenada por adultério e por participar de um homicídio. O apedrejamento, apesar de ter sido mencionado como condenção, ainda não foi confirmado pelo governo.
Obviamente que não concordo, de forma alguma, com este tipo de condenação, muito menos pelo motivo de adultério. Creio haver maneiras mais humanas de se condenar um criminoso, ou fazer com que uma pessoa pague pelos seus delitos. No entanto, o Irã possui leis próprias, cabendo a ele, exclusivamente, defini-las. Creio sim que isso seja uma questão de Direitos Humanos, mas que cabe ao Irã ponderar e procurar a reforma de seu processo penal.
Não devemos esquecer, entretanto, que diversos países possuem pena de morte para crimes comuns, como a Coréia do Norte, Coréia do Sul, Kuwait, Índia, Japão, Estados Unidos (inclusive), entre outros. Veja a lista completa aqui.
Ocorre que a mídia internacional, se mostrando convenientemente chocada com tal situação, vem minando a opinião pública contra o Irã. Estão aproveitando o caso de Sakineh Mohammadi para obter mais uma justificativa para o possível ataque ao país. Com mais essa desculpa, provavelmente Estados Unidos, Israel e ONU, unidos, aleguem a busca por instaurar a justiça no país e a prevalência dos Direitos Humanos. Alguém precisa dizer a eles que é preciso fazer a tarefa de casa primeiro!
Quanto ao Brasil, penso que deveriam olhar para o próprio umbigo. No nosso país, um estudo realizado pelo Instituto Zangari aponta que cerca de 10 mulheres são mortas por dia. Nesta estimativa, aproximadamente 3.650 mulheres são mortas por ano. Na grande maioria das vezes, essas mulheres são mortas sem motivo aparente. Sofrem violência doméstica e são assassinadas pelos próprios companheiros.
A reflexão que deixo é: Não é de hoje que Irã condena à morte pessoas que tenham cometido crimes. Além disso, Irã não é o único país a utilizar-se deste mecanismo de condenação. O caso de Sakineh Mohammadi é apenas mais um. Porque HOJE a notícia tem merecido maior destaque?
